18 months

15.4.15

Querida Ema,
Um dia serás mãe... e como tua mãe devo alertar-te para algumas coisas importantes sobre esta tão arrebatadora aventura.
Fazes hoje 18 meses. 18 meses cheios de emoções e aprendizagens. 18 meses que me fazem pensar que a maternidade se descreve em 3 palavras: Amor, Altruísmo e Responsabilidade.
Ao olhar para trás, devo dizer que não é tudo sempre maravilhoso, especialmente no início.
Como escreveu a Isabel Stilwell: "Tenho alergia a mães que fingem que isto não custa nada, que não perdem a paciência, não têm saudades de um tempo em que podiam tomar um banho de imersão, e namorar sem interrupções".
As mães não nascem ensinadas. A tua mãe tinha uma vida anterior, em que podia fazer o que quisesse, às horas que queria, com total liberdade. A chapada da responsabilidade, confesso, foi chocante. Quando nos vemos com um bebé nos braços mergulhamos numa bolha de medo, incerteza, choque e insegurança. Por fora, fingimos que temos tudo sob controlo, que estamos a dominar perfeitamente a situação, mas por dentro choramos e desesperamos.
Aprendemos que amamentar não é para todas (e que isso não é o fim do mundo), que é proibido fazer planos com horas marcadas, e que andar com o coração nas mãos será uma realidade durante muitos e longos anos.
Mas como em tudo na vida, filha, o tempo muito ajuda, e devagarinho vamos vestindo a pele de Mãe, e às tantas chegamos a uma altura em que percebemos que ninguém cuida melhor das nossas crias do que nós. As preocupações e receios transformam-se em novos sonhos e planos futuros, mesmo que continuem a haver picos de cansaço tão pesados que nos fazem pensar duas vezes sobre querer repetir esta aventura.
Depois há todo o outro lado maravilhoso, como saber que eu e o pai somos o centro do teu mundo, e sentir que és, literalmente, a nossa vida e o ar que respiramos.
Porque não há nada melhor que ver-te crescer, aprender a andar e a falar, ver-te a acordar a cantar e tagarelar, ouvir as tuas gargalhadas, admirar-te a percepcionar todo um novo mundo. Contigo volto à infância, mato saudades dos desenhos animados e das bonecas que eram minhas, como com as mãos e faço bolhinhas com a palhinha no copo com água. Fico com ar embevecido de cada vez que te olho, e com a pele arrepiada de cada vez que me fazes um carinho ou me dás um beijo.
Quando somos mães, o nosso coração torna-se elástico, e pode explodir de emoção várias vezes num mesmo dia, voltando ao sítio como se nada fosse.
Também é verdade que ficamos ainda com mais medo que nos aconteça alguma coisa e por isso começamos a cuidar ainda melhor de nós e dos nossos, e a pedir que tenhas sempre saúde e que nada te falte nunca.
Aprendemos que férias com crianças não são férias, que alguns amigos sem filhos se esquecem de nós, que a casa sempre arrumada é uma utopia, que deixamos de ter nome, que entupimos a memória do nosso computador com milhões de fotografias dos rebentos, e que a melhor coisa do mundo é MESMO dormir! :)
Corrijo, a melhor coisa do meu mundo és tu filha... a melhor coisa do mundo das mães são os filhos, que nos fazem sentir heroínas com super poderes e com forças que vamos buscar não sei onde...e que por mais que muitas vezes nos queixemos, nunca trocaríamos esta vida por nenhuma outra.

Parabéns meu amor.
Sempre tua,

Mamã.
...

Dear Emma,
One day you will be a mother ... and as your mother I must warn you about some important things about this so overwhelming adventure.
You're 18 months today. 18 months full of emotions and lessons. 18 months that make me think that motherhood is described in three words: Love, Altruism and Responsibility.
Looking back, I must say that is not all always wonderful, especially at the beginning.
As Isabel Stilwell wrote, "I have allergies to mothers who pretend that it does not cost anything, do not lose patience, have no longing for that time when they could take a bath, and dating without interruption."
Your mother had a previous life, she could do whatever she wanted with complete freedom. The new responsibility, I confess, it was shocking. When we find ourselves with a baby in the arms we dive in a fear bubble, uncertainty, shock and insecurity. On the outside, we pretend that we have everything under control, but inside we cry and despair.
We learn that breastfeeding is not for all (and this is not the end of the world) and it is forbidden to make plans with set times.
But as everything in life, dear daughter, time helps a lot, and we slowly lear how to be a mother and so it comes the time when we realize that no one takes better care of our children than us. The concerns and fears are transformed into new dreams and future plans, even if we continue to be tired as hell, which make us think twice about wanting to repeat this adventure.
Then there is all the other wonderful side, like knowing that me and dad are the center of your world, and you are our life and the air we breathe.
Because there is nothing better than see you grow, learn to walk and talk, see you wake up singing and chattering, hear your laughter, wonder you to perceive a whole new world. With you i go back to childhood, play with the dolls that were mine, eat with my hands and make bubbles with the straw in the cup with water. I fall in love every time I look at you, and have goose bumps every time you make me a cuddle or give me a kiss.
When we are mothers, our heart becomes elastic, and can explode with emotion several times in one day, returning to the same place as if nothing had happened.
It is also true that we are even more afraid to die and so we began to take even better care of us and ours, and ask that you have always health and everything you need.
We learned that holidays with children are not to rest, some friends without children forget us, that a tidy house is an utopia, that we no longer have a name, that we fill the memory of our computer with millions of photographs of the children, and the best thing in the world is sleep! :)
I mean... the best thing in my world is you dear daughter ... the best thing in Mother's world are the children, who make us feel heroes with super powers and forces that we get i don't know where ... and despite of the often complains, we would never trade this life for no other.

With love.
Always yours,
Mom.

21 comentários:

  1. A minha filha mais nova também tem 18 meses! Disseste tudo! Tão bonito! Obrigada. Inês

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  2. tão lindo, querida Ana! até me emocionei!

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  3. As tuas palavras são exatamente o que melhor pode descrever a maternidade. As minhas gordinhas também estão com 18 meses e lá por casa é mesmo tudo a dobrar (menos as horas dormidas pois claro :P)
    E o que é certo é que não trocaríamos nunca mesmo esta vida por outra :)
    Grande beijinho

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  4. É mesmo isso!!
    Beijinhos para ti e para a Ema, meus e da minha pequena de 22 meses.

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  5. Tão, mas tão verdade que até arrepia.
    Nós, mãe, temos a mania de nos vestirmos de manhã com a nossa capa invisível. Entramos na personagem e quando nos perguntam: "Então, está tudo bem mãe?"(sim... porque tens razão, deixamos de ter nome). A nossa resposta é acompanhada por um sorriso "tudo óptimo" Mesmo que durante a noite ela tenha acordado mil vezes, mesmo que o nosso marido não compreenda os nossos desvios de humor, mesmo que a mama doa, mesmo que a barriga ainda esteja um pouco flácida e termos estado os únicos 5 minutos disponíveis a encher-nos de cremes, mesmo que nos tenha apetecido fugir, ir beber um café com amigas e até tenhamos chorado um pouco com saudades dos tempos de liberdade. Mas tudo isso vale a pena, pois é exactamente como descreves, o nosso coração vive fora de nós e a sensação (mesmo que acompanhada de pânico) é a melhor do mundo.
    Parabéns Ana! És linda! E a tua filha um espectáculo.

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  6. A filha da minha prima fez 1 ano na passada segunda e estavamos todos incrédulos só de pensar o quão rápido passaram 365 dias. E claro, a Maria está enorme, super gira, muito simpática e comunicativa e parece que ainda foi ontem que era um "ratinho" que mal conseguia abrir os olhos! Como crescem rápido!

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  7. O amor de mãe é indescritível.

    O pouco que conseguimos traduzir em palavras é mais ou menos isto tudo que aqui escreveste!
    Parabéns à Ema!
    E aos pais claro!

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  8. Que bonito;)
    A Ema quando um dia ler estas tuas palavras, vai com toda a certeza emocionar-se!
    Beijinho e parabéns às duas!

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  9. Como me faz feliz ler estas linhas. Sinto que és o que sempre desejei que fosses. Uma Mãe presente e carinhosa. Fico feliz por saber que a minha neta, tem uma Mãe e Pai, que sabem estar sempre atentos, dar Amor e participar nas suas brincadeiras.
    Palavras lindas, que vão mais além da escrita. É mesmo verdade. Um grande beijinho.

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  10. Parabéns Ema! E parabéns mãe da Ema pelas palavras tão sábias :)
    Tão, mas tão verdade.
    Beijinhos.

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  11. Só podia ser um texto de uma mamã.
    Sabes o que estou a fazer a escrever um diário privado para deixar aos meus filhos...acho que vão gostar!

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  12. Subscrevo Ana, mas atrevo-me a dizer que parte de andar com o coração nas mãos é para sempre!:)
    Dora

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  13. Palavras lindas. :) espero daqui a 20 meses ter inspiração para escrever algo assim. :)

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  14. snif... tenho dois... dou comigo a falar para a mais velha (que vai fazer 18 anos) como se tivesse 18 meses... O mais novo(5 anos) trato-o como se continuasse a ser o meu bebé pequenino!! Enfim, eles crescem mas nós não.... :-))

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  15. Que bonito :')
    Não sou mãe, mas caramba que estou emocionada.

    x

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  16. Adorei o texto! Tenho um filho com 14 meses e revi-me em tudo! Vou partilhar com o marido :) Parabéns

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