Quando somos muito amigos das duas partes. Quando gostamos mesmo muito de cada uma das pessoas que formavam aquele casal que se separou. Independentemente das razões que os levaram a fazer isso, aprendi a distanciar-me e a tentar não tomar partido de nenhuma das partes.
Se calhar pelas chapadas glaciares que já levei, compreendo que toda a gente erra, que ninguém é perfeito, que o amor muitas vezes (infelizmente) se finda [mesmo que lutemos contra tal], e que quem perdoa tem um coração tão bonito... e grandioso como o Mundo.
Quando um casal amigo se separa, nós os amigos, sofremos com eles. É inevitável. Ouvimos um, ouvimos outro, e tentamos ajudar e abraçar os dois lados com
braços de polvo para que não lhes falte acalento.
Quando percebemos que não há mesmo volta a dar, o nosso papel é ajudá-los a colar os pedaços partidos do coração, uni-los com cuidado, e lamber as feridas até sararem. É dizer-lhes que o tempo tudo cura. Não cura tudo, mas quase. Fazer com que ergam a cabeça para uma nova fase, que será certamente boa e luminosa.
A descoberta de novas pessoas pode ser assustadoramente receada, principalmente se saímos de uma relação de muitos anos. Mas há tanta gente bonita, interessante, com sentido de humor perdida por aí, também à procura de alguém lhes aconchegue os pés de noite e que as volte a fazer sorrir com a boca e o coração.
O que quero com isto dizer, é que a pancada na altura pode ser forte, fria e seca... mas que com o tempo se irá desvanecer.
E o que eu quero é ver cada um (individualmente) muito feliz, ainda mais feliz do que era antes. Porque isso é possível. É só acreditar.
Nós, os
amigos-berço, continuaremos por cá, sempre que for preciso, a embalar e as limpar-vos as lágrimas rasgadas que de salgadas passarão, concerteza, a doces com sabor a mel.