Os do mundo

2.8.11


Arriscam. Mandam-se. Desprendem-se. Não pensam. Aventuram-se. Atiram-se de cabeça. Nunca olham para trás.
Confundem-me. Fazem-me "espécie"... as pessoas desprendidas emocionalmente de sítios e de pessoas. Que não são de ninguém. Que vão e não sabem quando voltam. Que fingem que não conhecem a palavra saudade. Não deixam rasto nem pegadas. Não se despedem. Não mantêm contacto. E depois voltam, assim, de repente, como se nada fosse. De alma descontraída e sorriso fácil. E abraçam-nos, muito. Tinham a certeza que estaríamos à espera delas. E fazem-me pensar que também gostava de ser assim, mas não sei se conseguiria.

Confundem-me... Fazem-me questionar. Mas o que há a dizer? Eles não são de ninguém. São do Mundo. E que assim continuem. O encanto deles está precisamente em... serem Do Mundo. De não pertencerem a este ou aquele, mas a toda a gente. De não viverem aqui ou ali, mas em todo o lado. Ser Do Mundo...

E sempre que ouço esta música, lembro-me deles e questiono-me... por onde andarão? Tenho a certeza que a bússola da vida deles está sempre afinada e apontada para um "sem destino" qualquer. E que bom que deve ser.



"Changes" brilhantemente interpretada por Seu Jorge (original de David Bowie)

"Lá vem meu trem...Sei que tá na hora e eu vou me dar bem
Sempre em frente, nunca pra trás
"...

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